Braille no Terminal com Ubuntu

Segue abaixo uma bela contribuição do amigo Vítor Oliveira, ensinando como configurar uma linha Braille no Ubuntu.
—————-
BRAILLE NO UBUNTU
Em primeiro lugar, é necessário dizer que não é o “orca” o verdadeiro responsável pela exibição do ecrã num terminal braille. De facto, embora o “orca” tenha suporte braille, este é feito por um outro programa leitor de ecrã chamado “brltty” e que trabalha em modo texto. Assim, temos de configurar o “orca” e o “brltty” para funcionarem em conjunto.
Configurando o Orca
1- Abra as preferências do “orca” (insert+espaço”.
2- Desloque a seta duas posições para a direita e ouvirá o separador “braille”.
3- Pressione “Tab” uma vez e estará na caixa de verificação “habilitar braille”. Marque com a barra de espaços.
4- Pressione duas vezes “shift+tab” para “ok” e pressione ‘Enter’
Vamos ver a coisa a funcionar?
Tomemos por exemplo alguém que, como eu e muita gente, tenha um terminal da Handy Tech; uma Braille Wave, uma Braille Star ou um Braillino. Vamos pôr o “brltty provisoriamente a funcionar para o entusiasmar um pouco.
Suponhamos que tem o terminal na porta de comunicações com1.
Vá ao terminal e digite a linha como descrita abaixo:
brltty -b ht -d ttyS0 -t pt
Após pressionar ‘Enter’, ouvirá dois beeps e vai aparecer-lhe em braille a inscrição “screen not in text mode”. Não se preocupe. O que se passa é que, como disse acima, o “brltty” é um interface para modo texto, não para modo gráfico. Como você está presentemente em modo gráfico, o programa simplesmente avisa-o que não está em modo texto.
Feche o “orca” com “insert+Q” e volte a carregar. Em princípio, o modo gráfico em braille deverá arrancar normalmente. Caso tal não aconteça, não se preocupe. Da próxima vez que reiniciar a máquina, vai tudo arrancar normalmente. O importante mesmo, foi que a inscrição “screen not in text mode” apareceu tranquilamente no seu terminal braille! Isso significa que PC e terminal estão a comunicar perfeitamente.
Para uma pequena explicação sobre o comando que efectuou; “brltty” é o nome da aplicação; “-b ht”, vai dizer ao “brltty” que você tem um terminal braille da Handi Tech; “-d ttyS0? vai dizer ao “brltty” que você tem a sua Handy Tech ligada na com1; “-t pt”, vai informar ao “brltty” que, o terminal Handy tech que você tem ligado na com1, usa a tabela de escrita portuguesa.
Configurando o Ubuntu para que o Brltty arranque de início
Edite o arquivo com o nome “/etc/default/brltty”
no terminal, digite:
sudo gedit /etc/default/brltty
Procure a última linha que diz “RUN_BRLTTY=no”.
A seguir ao sinal de ‘=’, altere ‘no’ para ‘yes’.
Salve o arquivo e saia.
Configurar o brltty
Agora, vamos fazer com que o brltty funcione com o seu terminal, usando a porta de comunicações que escolher e a respectiva tabela de tradução. Para tal, vamos editar o arquivo “/etc/brltty”.
Novamente no terminal, digite:
sudo gedit /etc/brltty.conf
Há dois aspectos que têm de ser desde logo realçados. O primeiro é que, todas as linhas começam por ‘#’. Tudo o que está para a frente desse caracter representa comentários ou exemplos de configuração. Assim, para tornar essa linha válida, teremos de apagar o ‘#’. O segundo aspecto, é que o documento está dividido por secções que estão devidamente representadas por sequências anormais de caracteres, o que facilita a respectiva localização.

Tenha ainda em atenção que as linhas contêm separadores. Ao deslocar-se na linha, ouvirá ‘tab’. O formato da linha terá de ser deixado intacto!
Navegando com as setas, localize a primeira secção:
############################
# Generic Braille Settings #
############################ Abaixo tem a designação dos diversos terminais suportados. Vamos localizar a linha que nos interessa:
#braille-driver ht # HandyTech
Apague o primeiro caracter da linha, ‘#’.
A linha ficará com o formato: braille-driver ht # HandyTech
Agora, localize a linha:
#braille-device serial:ttyS0 # First serial device.
Apague o primeiro caracter da linha ‘#’.
A linha deverá ter este aspecto:
braille-device serial:ttyS0 # First serial device.
Nesta última linha, indicámos a porta de comunicações.
Vamos indicar ao brltty que estamos a trabalhar em linux e não em windows. Localize a linha:
#release-device off # Don’t release the device.
Mais uma vez, apague o primeiro caracter da linha, ‘#’.
A linha deverá ter este aspecto:
release-device off # Don’t release the device.
Se quiséssemos trabalhar com o brltty em windows, por exemplo para trabalhar com o NVDA, deveríamos fazer a mesma coisa, não nesta linha, mas na imediatamente acima.
Agora vamos indicar qual a tabela de escrita que vamos usar no braille. Localize a linha:
#text-table pt # Portuguese (iso-8859-1)
Mais uma vez, apague o primeiro caracter da linha, ‘#’.
A linha deverá ter este aspecto: text-table pt # Portuguese (iso-8859-1)
Pronto, poderemos terminar por aqui a nossa configuração. Salve o documento, saia e reinicie o computador.
Contudo, se possuir um terminal braille com teclado próprio e quiser trabalhar com esse teclado, localize a secção:
#############################
# Braille Driver Parameters #
############################# Localize as linhas:
# HandyTech Braille Driver Parameters
#braille-parameters ht:InputMode=no # [no,yes]
Na linha de baixo, apague o primeiro caracter, ‘#’ e mude o que está a seguir ao sinal de ‘=’ e antes do próximo ‘#’ de “no” para “yes”.
Salve o documento, saia e reinicie o computador.
O resto do arquivo trata de outras configurações. Umas genéricas do próprio brltty, tais como configuração de ecrã, etc. Outras, são para fazer com que o brltty funcione com sintetizadores de voz, internos e externos. A destacar, o viavoice. No entanto, como temos já o viavoice ocupado com o orca, apenas podemos usar o braille, o que já não é nada mau, convenhamos.

Vítor Oliveira http://www.linuxacessivel.org/2008/10/11/braille-no-ubuntu/

0 comentários:

O conteúdo deste blog/site pode e deve ser divulgado, conforme lei a 9.610/98 meus direitos estão assegurados, portanto eu permito a copia e reprodução gratuita, seja total ou parcial, não acarretando qualquer onûs financeiro aos interessados, porém, vedo o uso para fins lucrativos, toda reprodução para o público deve citar a fonte extraída, no caso o Técnico Linux - O Espaço do Software Livre e seja citada junto com um link para a postagem original, onde a referência deve estar numa fonte de tamanho igual ou maior a do texto, obviamente que os links citados não estão sujeitos ao mesmo termo. O conteúdo textual original desta página está disponível sob a licença GNU FDL 1.2.

Todas as marcas citadas pertencem aos seus respectivos proprietários. Os direitos autorais de todas as ilustrações pertencem aos respectivos autores, e elas são reproduzidas na intenção de atender ao disposto no art. 46 da Lei 9.610 - se ainda assim alguma delas infringe direito seu, entre em contato para que possamos removê-la imediatamente ou ainda lhe dar os devidos créditos.

Copyright © 2016 O Espaço do Software Livre