Comparação entre Inkscape, CorelDRAW e Adobe Illustrator


Conheço os softwares mencionados neste artigo há um bom tempo e já realizei muitos trabalhos artísticos com todos eles. Mas para poder escrever este artigo, precisei fazer algo que até então nunca havia feito. Trabalhei com o Inkscape 0.48.2, CorelDRAW X6 e o Ilustrator CS6 de forma intensa e contínua durante quatro meses, onde foram usados para se criar de tudo! Acredite, foi de tudo mesmo! Durante esse período eles foram testados ao extremo, seus recursos postos à prova e suas maiores qualidades reviradas de ponta-cabeça.

Não pense que foram criadas apenas algumas figurinhas básicas só para testar não. O bicho pegou pra valer mesmo! Para algumas atividades os softwares foram usados para a finalização de serviços reais, encarando todas as etapas e desafios de uma finalização gráfica de verdade e sem espaço para remediação de erros. É claro, tudo feito com total responsabilidade e plena consciência de atingir os resultados esperados.

Paralelamente a isso, vários itens também foram sendo construídos e testados para mostrar as características de cada programa. Nenhum site em língua portuguesa já apresentou um conteúdo tão vasto sobre estes três softwares conforme está sendo apresentado a partir de agora.



Antes de começar, é bom que se diga uma coisa: o objetivo deste artigo não é essencialmente apontar qual software é melhor ou pior. É evidente que como o blog é focado no software livre, haverá sempre uma ênfase a esse tipo de ferramenta. Vale dizer que tanto o CorelDRAW quanto o Illustrator ou o Inkscape cumprem bem suas funções e isso é verdade. A intenção aqui é traçar um paralelo entre os recursos, semelhanças e diferenças de cada software - afinal cada um deles tem também pontos positivos e negativos. Caberá a você, leitor, no final desta matéria deixar sua opinião. Aí você poderá dizer tudo que pensa. Fica por sua conta!

Quando falamos em arte, devemos considerar que um ótimo designer consegue fazer uma obra-prima até mesmo rabiscando um guardanapo numa mesa de restaurante. A arte origina-se na cabeça do designer e não no software. Quando abrimos o Inkscape, o Ilustrator ou o Corel, o que temos é um documento em branco - e por isso, quem não tem tanto talento para essa área, não haverá software que faça milagre. Então fica dado o recado: o que mais vale na área da criação gráfica é a cabeça do designer. O
software é apenas a ferramenta que ele irá usar para colocar suas ideias no papel (ou no monitor do computador). Obviamente, é necessário que se conheça bastante os recursos que cada ferramenta tem a oferecer e que essa ferramenta seja absolutamente confiável. É nessa hora, quando o usuário sabe o resultado em que pretende chegar e sabe o que fazer para atingir esse resultado, que realmente as características de cada software passam a fazer diferença no processo de criação. Uma pessoa pode até conseguir remover um parafuso usando um alicate, mas seria bem simples e fácil se usasse a ferramenta adequada para tal tarefa, como uma chave de fenda. Esse exemplo ilustra bem a ligação entre o talento artístico e a experiência nos recursos de cada software.

Este blog, como era de se esperar, dá preferência ao Inkscape. Por isso, além das principais características dos três softwares, será mostrando aos usuários que estão habituados com o Corel ou o Illustrator, que o Inkscape não é nenhum bicho de sete cabeças. Embora ele possua uma interface simples, os recursos que ele traz agregado permite a elaboração e finalização de trabalhos a nível profissional. Aliás, recursos é algo que Inkscape tem de sobra e podem ser usados de maneira muito prática. Quem já tem uma certa intimidade com ilustração vetorial é possível encarar esta maravilhosa ferramenta open source sem maiores dificuldades. Embora sendo defensor e entusiasta do software livre, tentei fazer minha abordagem avaliando as características de cada software da maneira mais imparcial e justa possível, sem sofismas.

Infelizmente existe uma ideologia cega e, na minha opinião, bastante insensata em torno do software livre. Muitos usuários defendem a superioridade deste tipo de software sem nenhum senso crítico, quase que declarando uma guerra sagrada ao software proprietário. O software livre tem muitos méritos e vem avançando bastante, isso é verdade. Em algumas áreas já possui representantes de impor respeito, como no caso do Firefox, Filezilla, VLC Media Player, GnuCash, Writer e Calc. Entretanto, quando falamos de um produto do porte do Adobe Illustrator, seria muita ingenuidade - ou burrice mesmo - alguém querer argumentar que este software seja ruim ou inferior a algum outro de sua linha. Sejamos razoáveis, se há algo de ruim no Illustrator, eu diria que é o seu preço; e nada mais. Porém a empresa Adobe não cobra os mais de 700 dólares em seu software de desenhos vetoriais apenas por manter um nome bacana e famoso, mas é por conta de toda uma equipe que é remunerada para melhorar continuamente seus programas. Mas por outro lado, temos que pensar na possibilidade do usuário que quer andar dentro da legalidade e não pode arcar com tamanha despesa. Nesse aspecto, o Inkscape entra nessa briga com recursos dignos dos melhores softwares de desenho e sem custar nenhum centavo.

Comparar três programas desse nível, de forma imparcial, é uma das tarefas mais complicadas que há. São muitas as variáveis, ainda mais que existe uma guerra de opiniões acirradas entre os fãs do Illustrator e os fãs do CorelDRAW. Conforme já disse, o objetivo não é eleger o melhor software, mas sim montar um paralelo entre as três alternativas. Então vamos para a prancheta, ou melhor, para o micro de testes, as últimas versões estáveis e disponíveis quando escrevi esta matéria: o Adobe Illustrator CS6, CorelDRAW X6 e o Inkscape 0.48.2.

O Adobe Illustrator CS6 foi lançado oficialmente em 23 de abril de 2012. O CorelDRAW X6 em 20 de março de 2012. Já a versão 0.48.2 do Inkscape foi lançada em 6 de setembro de 2011.


A história de cada um

Adobe Illustrator



O Adobe Illustrator foi criado em 1985 nos laboratórios da Adobe Systems, inicialmente para o Apple Macintosh, como um complemento para um aplicativo de fontes da própria Adobe e da tecnologia PostScript desenvolvida pela empresa. A tecnologia PostScript, usada até hoje, permite "fechar o arquivo" - o que significa que ele poderá ser visualizado e impresso como uma cópia exata e fiel ao que se vê no monitor de origem, com a maior qualidade de impressão possível. A ideia da Adobe foi brilhante, mas a nível comercial, o lançamento da primeira versão foi um feito para lá de arriscado: o Macintosh não detinha uma fração significativa de mercado, a única impressora que suportava documentos do Illustrator era a Apple LaserWriter (cuja tecnologia na época ainda era prematura, cara e dispendiosa), e o paradigma de criar desenhos através de curvas de Bézier era uma novidade para o utilizador médio. Para complicar ainda mais, não só o Macintosh mostrava apenas gráficos monocromáticos, assim como as opções de visualização estavam limitadas a monitores de 9 polegadas. Enfim, o Illustrator tinha tudo para dar errado.

A primeira versão do Illustrator para o Windows foi a 2.0, lançada em 1989. Foi um total fracasso. Naquele ano os desenvolvedores foram surpreendidos com o também lançamento do CorelDRAW, que apresentava layout mais amigável e maiores recursos do que aquela versão do Illustrator. A versão seguinte para Windows foi a 4.0, que também não decolou. Essa versão foi severamente criticada por ser muito semelhante à antiga versão 1.1 do Macintosh. No entanto, no sistema da Apple os usuários desfrutavam da versão 3.0 do Illustrator, que fora lançada em 1990, cujas características eram nitidamente superiores à versão 4.0 que fora destinada ao sistema operacional da Microsoft. Esse fato irritou muitos usuários do Windows. Com todos esses problemas o Illustrator permanecia sem maior expressividade e, na plataforma Windows, o CorelDRAW se popularizava como o software preferido para criação de arte vetorial.

Durante quase 10 anos o Illustrator permaneceu como uma ferramenta quase que exclusiva dos usuários do Macintosh. Depois de chegar ao Windows, também houve lançamentos de versões para Next, IRIX da Silicon Graphics e o Solaris da Sun. Porém, até a metade final da década de 1990 o Illustrator não emplacou fora dos círculos da Apple.

Para limpar a imagem negativa, em 1997 a Adobe trouxe ao mercado a versão 7 do Illustrator para o sistema Windows. Finalmente o software apresentava não só características inovadoras, mas também estava em pé de igualdade com a versão destinada ao Macintosh. Esta, sem dúvida, foi muito bem aceita pelos usuários do Windows e se tornava uma alternativa de peso ao CorelDRAW.

O Nascimento de Vênus

Uma curiosidade interessante no Illustrator foi a imagem da tela de inicialização do software, cuja figura temática chegou a ser usada em pelo menos 10 versões do programa.


Imagem do quadro do artista renascentista italiano Sandro Bottivele (1445 - 1510) - "O Nascimento de Vênus" 
Tela inicial da versão 1.1 do Illustrator
O fundador da Adobe, John Warnock, estava atrás de uma ilustração que transmitisse a época renascentista. Foi então que comprou os direitos de licença junto à Empresa Bettmann Archive que, entre os seus 19 milhões de arquivos fotográficos, guardava o registro do quadro "O Nascimento de Vênus" pintando pelo artista italiano Sandro Botticelli. A imagem usada pelo Illustrator consistia na face de Vênus que foi escolhida para representar as suaves e delicadas curvas de bézier perante as imagens bitmap. De acordo com os avanços do Illustrator, a ilustração da Vênus foi passando por novas reformulações.

Em 2003, época do lançamento da versão 11 (CS) a Adobe decidiu agrupar todos os seus produtos de maior destaque nas área de design, desenvolvimento web, vídeo e fotografia em um super pacote chamado Adobe Creative Suite. Com a integração de tantos programas, foi feito um redesenho dos produtos e suas marcas. Com isso, a Adobe finalmente disse adeus à imagem da Vênus no Illustrator, sendo substituída por um novo tema baseado na natureza, com flores estilizadas em vetor e folhas, tanto na caixa do produto quanto na tela de abertura.

Em 2007, com o lançamento do Illustrator CS3, a equipe da Adobe decidiu reformular a marca mais uma vez, simplificando as embalagens dos produtos e unificando as características visuais de toda a suíte. Cada programa que fazia parte do pacote do Adobe Creative Suite foi associado a uma cor e, a partir de então, o Illustrator passou a ser associado com a cor laranja.

CorelDRAW


A primeira versão do CorelDRAW surgiu em 1989 para o Windows 3.0. Na época, uma pequena equipe de desenvolvimento que criava soluções de editoração eletrônica percebeu que deveria haver uma melhor maneira de criar elementos gráficos no computador. Hoje embora realizar essa tarefa seja algo muito banal, mas até meados da década de 1980, a editoração eletrônica ainda estava começando a engatinhar. Apesar de avanços com o próprio Illustrator e o surgimento de softwares como o PageMaker (primeira versão em 1985, produzido pela Aldus, para o Macintosh), ainda não eram bem difundidas as alternativas de imagens e textos compartilharem o espaço num único documento; e muito menos trabalhar com a criação de formas geométricas e desenhos artísticos junto com textos num único programa. A possibilidade de escrever um texto num documento e mover esse texto livremente para qualquer posição já era visto como uma possibilidade genial. O CorelDRAW foi recebido como uma revolução para a época dentro do ambiente Windows, abrindo as portas para muitas possibilidades na área da computação gráfica - que até então estava concentrada no ambiente Macintosh.
Rapidamente o Corel se tornou um software de ilustração e criação gráfica extremamente popular do mercado, ao lado do seu concorrente mais famoso, o Adobe
Illustrator.

O monopólio da Microsoft com seu sistema operacional onipresente nos computadores de todo o planeta e as trágicas versões iniciais do Illustrator para o ambiente Windows favoreceram ainda mais a expansão do Corel, que reinou dentro do círculo de usuários do Windows sem sofrer grandes incômodos durante pelo menos 8 anos.

Em 1996 a Corel lançou a versão 6.0 para Macintosh, mas foi recebido como programa menor e tardio, não conseguindo ganhar grande receptividade. Amargando versão após versão com um minguado número de usuários nos Macs e sem conseguir ganhar terreno dentro de uma comunidade já dominada pelo Illustrator, a Corel decidiu descontinuar definitivamente o CorelDRAW Graphics Suite para o Macintosh. A última versão lançada para o sistema da Apple foi o CorelDRAW 11.
Inkscape


O Inkscape é o software mais recente entre os três. Sua primeira versão foi lançada em 2003, tendo por base uma versão do antigo Sodipodi - que foi outro software de desenho vetorial do mundo open source. Apesar de ainda ser possível baixar e instalar o Sodipodi, o projeto deste software não vem sendo mais desenvolvido. Sua última versão foi lançada em fevereiro de 2004. O próprio Sodipodi também já havia sido um fork de outro software de gráficos vetoriais - o Gill.

Disponível para as plataformas Windows, Linux e Mac, com uma interface super simples e extremamente intuitiva, desempenho invejável e contando com recursos de impor respeito na área da criação gráfica, o Inkscape rapidamente caiu no gosto dos usuários e se tornou a referência na produção de desenhos vetoriais para os que adotaram o software livre.

Apesar do Inkscape ainda nem mesmo ter alcançado a versão 1.0, vale mencionar que o CorelDRAW - por exemplo - tem muito mais tempo de estrada que o Inkscape e obviamente possui uma linha de desenvolvimento bem mais longa e também teve tempo de sobra para engolir uma fatia considerável do mercado. Já o Inkscape, mesmo sendo um software relativamente novo, chega aos dias atuais com um nível de maturidade invejável. A ferramenta traz recursos dignos das mais caras do mercado, como aplicação de texturas baseadas em 3D e vetorização automática de bitmaps, cujo resultado impressiona até mesmo aos mais exigentes.

Numa rápida análise do que o Inkscape já e hoje, com certeza o futuro deste software promete grandes avanços. Resta-nos aguardar para ver.

Lembranças do Freehand
Como estou falando de história, uma informação aqui merece ser lembrada. Na década de 1990 até 2005 outro software que chegou a ser muito querido pelos designers e abraçado por uma legião de fãs era o Freehand. Originalmente, o Freehand foi criado pela Altsys, uma empresa licenciada à Aldus, que lançou as versões de 1 a 4. Posteriormente a Aldus se juntou à Adobe Systems, que devolveu o FreeHand para a Altsys. Mais tarde, em 1995, a Altsys foi adquirida pela Macromedia, que lançou o FreeHand nas versões 5.0, 5.5 (somente para Mac), 7, 8, 9, 10 e 11 (ou MX, em fevereiro de 2004). Em 2005 a Adobe comprou a Macromedia e consequentemente o FreeHand foi descontinuado.

Atualmente existe um vasto número de softwares editores de gráficos vetoriais - vários deles são pouco conhecidos - o que não significa necessariamente que estes não tão famosos sejam piores ou menos significantes do que os três softwares abordados neste artigo. Embora alguns deles ofereçam apenas o básico, outros editores, porém, trazem recursos muito interessantes e chegam a ser extremamente poderosos em áreas especializadas, possuindo ferramentas avançadas para a produção de desenhos técnicos e sendo muito usados em ambientes bastante específicos - como no campo da eletrônica, mecânica e engenharia civil. Os usuários desses softwares geralmente os escolhem baseados na disponibilidade para o seu sistema operacional, no conjunto de recursos, na usabilidade da interface e principalmente no foco do programa. Alguns desses softwares que também trabalham com gráficos vetorias são: AutoCad, Blender, Corel Designer (originalmente Micrografx Designer), Dia, Microsoft Expression Design, Fatpaint, Adobe Fireworks, Adobe Flash, Maya, Omni Graffle, Libre Office Draw, PhotoLine, sK1, SketchUp, SVG-edit, Swift 3D, Microsoft Visio, Xara Extreme e ZPaint.

Ainda há muitos outros. Todos esses softwares possuem o seu valor e merecem o devido respeito. Entretanto não é possível levantar uma comparação entre todos eles, mesmo porque alguns deles são especializados para determinadas áreas. Como a intensão aqui é fazer um estudo entre os softwares mais voltados para a parte artística, não resta dúvidas de que, hoje, os nomes mais falados, discutidos, criticados e elogiados são o Inkscape - do mundo opensource; e os proprietários Illustrator e CorelDRAW.

Illustrator x CorelDRAW x Inkscape: as diferenças reais

Custo - a diferença óbvia

Provavelmente a diferença mais evidente entre o Illustrator, CorelDRAW e o Inkscape é o preço.

Atualmente, a licença do CorelDRAW Graphics Suite X6 custa R$ 1.399 na versão completa, e R$ 599 a versão de atualização (caso você tenha uma versão anterior original do produto). No entanto, está incluso nesse preço o Corel Photo-Paint (alternativa ao Adobe Photoshop).

Já a licença de uso para o Adobe Illustrator na versão CS6 sai por US$ 729 (aproximadamente R$ 1.315) ou US$ 243 (R$ 438) a versão de atualização.

Atualmente, não há uma diferenciação muito grande de preço entre o Illustrator e o CorelDRAW. No entanto, as versões mais antigas de ambos os softwares tinham preços bem comparáveis. O CorelDRAW X3, por exemplo, chegou a custar US$ 149 (R$ 268) na Amazon – muito menos que a versão do Illustrator lançada na mesma época (CS4), que custava US$ 580 (R$ 1.046), quase 4x mais caro.

E quanto o Inkscape? Bom, após mencionar os valores dos gigantes da criação gráfica, a verdade é que chega a ser até um tanto desconcertante mencionar isso, mas o Inkscape possui 'custo zero'. É possível baixar e usar o software legitimamente, com todos os seus recursos, sem desembolsar nenhum centavo.


Tamanho dos arquivos

Quantos bits pesa um quadrado vermelho?





Illustrator, CorelDRAW ou Inkscape - qual deles produz o arquivo mais leve? Para responder a esta pergunta desenhei um quadrado absolutamente idêntico, com as mesmas características nos três softwares; e salvei o arquivo com o formato nativo desses softwares, de modo que o arquivo pudesse ser aberto novamente para edição. Veja o resultado.
Haveria um padrão de medida que pudéssemos saber qual dentre os softwares é capaz de produzir artes com o menor consumo de espaço em disco? Qual seria o peso proporcional de cada arte criada nesses softwares? Esta é uma pergunta difícil e polêmica. Cada arte possui características peculiares, podendo ter centenas ou até milhares de diferenciações que obviamente implicam num conjunto maior de dados a serem armazenados e consequentemente isso gera um maior consumo de bits ao salvar o arquivo.

Mas e se fizéssemos uma arte exatamente idêntica nos três softwares?

Pois bem, para responder a essa pergunta fiz o seguinte experimento: usando os três softwares - Inkscape, Illustrator e CorelDRAW - criei três gráficos absolutamente iguais. O critério adotado foi o de criar um elemento gráfico usando somente uma ferramenta nativa equivalente, disponível na barra de ferramentas de cada software - e com a forma mais simples possível. Decidi criar um quadrado, de uma só cor, com 100% de preenchimento, sem contornos e sem qualquer tipo de efeito aplicado. Todos dentro de um mesmo tamanho de documento (tamanho A4), mesma cor (vermelho #FF0000) e medidas exatas (100 x 100 mm). Após criar os gráficos salvei os respectivos arquivos na extensão nativa de cada software - "ai" para o Adobe Illustrator; "cdr" para o CorelDRAW; e "svg" para o Inkscape - de maneira que o arquivo pudesse ser aberto novamente para edição em seu respectivo software de origem.

Veja o que o nosso quadrado criado em cada software ocupou no disco rígido:

  • Adobe Illustrator: 1.098 kb
  • CorelDRAW: 385 kb
  • Inkscape: 2 kb


Observe que baseando-se no tamanho do arquivo, se você estiver procurando algo que produza gráficos mais leves, nesse quesito o Inkscape dá um banho, com um arquivo inacreditavelmente pequeno, de somente 2 kilobytes! O Illustrator foi o que apresentou o maior tamanho de arquivo, 1.098 kilobytes, seguido pelo CorelDRAW com um arquivo de 385 kilobytes.



Desempenho e Estabilidade



Apesar de no teste acima o Illustrator ter gerado um arquivo de tamanho um tanto exagerado, vale mencionar que o software da Adobe possui um gerenciamento de memória extremamente eficiente, sendo capaz de permitir a abertura e edição de gráficos complexos, mesmo em micros de configuração menos robustas.



Neste aspecto, a estabilidade oferecida pelo software da Adobe é notável.



O Inkscape também não fez feio no quesito de desempenho. Para encarar o teste submeti o software a uma situação extrema e desfavorável: usando um antigo AMD Athlon 1.8 com 1 giga de memória e 250 mb de vídeo, resolvi abrir e editar uma arte vetorial repleta de filtros, desfoques e um conjunto com mais de 2 mil objetos. A surpresa é que mesmo assim foi possível mover, apagar, criar novos objetos e aplicar várias alterações de cores e formas. Com lentidão é verdade - o que é até compreensível diante da limitadíssima configuração do micro - porém o Inkscape realizou as tarefas sem travar e tudo isso com o modo de visualização normal ativado, forçando o programa a exibir, em tempo real, cada objeto com todos os seus efeitos ativos.



É evidente que para o uso de qualquer software gráfico tal configuração apontada acima não é recomendável. O ideal é um micro com configurações mais robustas. Mas no caso do Inkscape, percebe-se que não chega a ser necessário nenhum super computador para a manipulação de artes mais complexas.



No Inkscape, fazer fotorealismo através de vetores não requer um computador extremamente potente
Em relação ao Illustrator e o Corel, para realizar os testes foi necessário o uso de um micro mais potente. Os dois softwares apresentaram mensagens no início da instalação, informando que os softwares não poderiam ser instalados naquela máquina - o antigo Athlon 1.8 - situação que já era esperada. A solução foi partir para uma configuração mais generosa para ambos os programas, sendo usado um Core2Duo com 2 Gigas de memória, que encarou bem as tarefas.



Nesta configuração o Illustrator levou 34 segundos para abrir e deixar sua área de trabalho pronta para uso. O CorelDRAW foi mais rápido que seu concorrente, demorando apenas 22 segundos para abrir. Mesmo na configuração desfavorável do Athlon 1.8, o Inkscape ainda assim foi o mais rápido, levando apenas 17 segundos para abrir. Mas passando para o Core2Duo, o Inkscape mais uma vez surpreendeu, levando inacreditáveis 4 segundos para apresentar sua área de trabalho.



Embora o Illustrator seja o que mais demorou para carregar, não há o que reclamar quando ao seu desempenho. Mesmo depois de horas seguidas de uso na manipulação de arquivos pesados, propositalmente carregados de efeitos e com milhares de objetos, o Illustrator aguentou muito bem o tranco, parecendo usar os recursos da micro de forma bastante satisfatória e sem engasgar nenhuma vez. O Illustrator continuou sendo usado durante vários dias, com diversos arquivos que exigiam muito do sistema, sem apresentar qualquer tipo de problema.



Já o CorelDRAW apresentou problemas durante os testes. Simplesmente travou algumas vezes. Para piorar as coisas, no primeiro incidente o arquivo principal que vinha sendo trabalhado tornou-se irrecuperável, apresentando a imagem abaixo ao tentar abrí-lo. O jeito foi apelar para a cópia de segurança que, para o meu alívio foi capaz de abrir a imagem, porém com perdas significativas das últimas etapas do que vinha sendo feito.







O irritante bug do acúmulo de estilos de cor - uma espécie de histórico que vai armazenando todas as cores usadas num documento (acessível a partir do menu Ferramentas, Estilos de cor...), parece ter sido finalmente corrigido na versão X6. O problema é que os estilos armazenam as cores de maneira cumulativa, ou seja, as cores não usadas não são descartadas, tornando o documento "infectado" com um número gigantesco de estilos. O resultado desse processo é que, com o passar do tempo, um simples desenho finalizado com poucas cores pode acumular um histórico de milhares de cores que vieram sendo armazenadas durante todo o processo de criação, o que ocasiona uma lentidão enorme para abrir o arquivo. Essa situação, que aparentemente iniciou-se com o Corel 11 e as versões que se seguiram herdaram o bug, na versão X6 o gerenciamento de estilos foi redesenhado e pelo menos durante os testes não apresentou nenhum problema aparente.



Contudo, conforme pode ser constatado, existe a real possibilidade do Corel travar no meio de uma tarefa de suma importância, com chances de perda parcial ou talvez até completa do trabalho. Apesar do programa criar cópias de segurança, quando um problema mais grave acontece nem sempre o intervalo de tempo foi suficiente para a cópia armazenar as últimas modificações importantes - o que significa refazer boa parte do que já estava pronto. Embora haja a possibilidade de configurar a criação da cópia num intervalo de tempo reduzido, para arquivos pesados isso implica em tornar o Corel ocupado muito mais vezes em períodos muito curtos. A consequência disso é que dependendo o que estava sendo feito durante o início do auto-salvamento, tal processo pode desencadear a mais temida mensagem exibida pelo sistema operacional: "CorelDRAW X6 parou de funcionar", conforme pode ser observada na imagem abaixo:



Esta é, provavelmente, mais temida mensagem que um usuário pode se deparar durante a etapa de criação no CorelDRAW. Significa que depois desta mensagem não resta mais nada a fazer a não ser contar com a sorte, para que o arquivo original volte a abrir com o trabalho que estava sendo realizado. Se isso não acontecer sua última esperança será a cópia de segurança. Torça para que ela possa lhe apresentar, sem nenhuma surpresa desagradável, o que até então vinha sendo feito. 




Compatibilidade e compartilhamento de arquivos



Dentre os três programas testados, o Inkscape é o único com versões disponíveis para Windows, Mac e Linux. O Inkscape possui a extensão SVG como padrão, porém é capaz de salvar arquivos em 23 formatos e abre ou importa em pelo menos 49 formatos, inclusive os da concorrência (CDR, AI, CDT, PDF e WPG). Infelizmente nem todos os arquivos com extensão AI - do Illustrator e CDR - do CorelDRAW - são corretamente lidos, por serem extensões de softwares proprietários.



O Adobe Illustrator CS6 salva arquivos em 7 formatos e abre ou importa em 29 formatos. Possui versões disponíveis para Windows e Mac. "Conversa bem" entre os formatos de softwares nativos da própria Adobe, o que não é nenhuma novidade. Desde a versão CS4, abrir no Photoshop um arquivo do Illustrator ou vice-versa, se tornou uma tarefa muito simples, o que é uma grande trunfo para o Illustrator – afinal de contas, o Photoshop é praticamente um software lendário, com qualidades inquestionáveis e inigualavelmente superior ao Corel Photo-Paint. O Illustrator também abre formatos do CorelDRAW até a versão 10, porém alguns desenhos acabam tendo suas propriedades alteradas.



O CorelDRAW X6 possui versão somente para o Windows. Salva em 28 formatos, exporta em 58 formatos e importa em 82 formatos, inclusive formatos do Adobe Photoshop e do próprio Illustrator. Um detalhe é que com o formato do Photoshop, o CorelDRAW até que trabalha bem - até mesmo importando corretamente áreas de transparência e camadas. Mas alguns arquivos de Illustrator quando abertos no Corel apresentam falhas. Apesar do extenso número de formatos importados pelo Corel, vários deles requerem a instalação adicional de pacotes de compatibilidade para poder funcionar. Um fato que definitivamente chama a atenção em relação à abertura de arquivos pelo CorelDRAW, é a de não abrir formatos nativos entre suas próprias versões - mais especificamente a abertura de arquivos de versões posteriores. Assim, se você tem o Corel X3 instalado em sua máquina e necessita abrir um arquivo que foi salvo nativamente em qualquer versão posterior ao X3, com certeza irá ter dor de cabeça.



Os três softwares trabalham com a extensão SVG - Scalable Vector Graphics - sendo que o Inkscape atua nativamente sobre esta extensão. Já o suporte ao SVG do CorelDRAW é bastante limitado, tendo dificuldade de assimilar corretamente objetos em curvas, alguns tipos de nós e certas cores.



A grande vantagem do SVG é que trata-se de um formato aberto aprovado pela W3C - o que garante a qualidade técnica dos arquivos produzidos com esta extensão, sua total compatibilidade e acessibilidade, tendo uma maior chance dos arquivos serem apresentados em qualquer computador, da forma como foram criados, mesmo em ambientes computacionais distintos. Suas especificações estão disponíveis ao público e não possui um dono ou uma empresa proprietária.



Interface



Os três software apresentam uma interface clássica para os programas de criação de desenhos vetoriais - uma área de trabalho - representando a área de uma prancheta - com uma página central, uma "folha de papel virtual" onde será criada a arte para a futura impressão na folha de papel real. Rodeando a área de trabalho temos as barras de ferramentas. Além das barras comuns, os três softwares oferecem uma barra interativa, que se modifica oferecendo opções adicionais dependendo da ferramenta escolhida.



CorelDRAW X6

O CorelDRAW apresenta uma interface muito intuitiva, com destaques para a uma poderosa janela de gerenciamento de objetos e uma avançada ferramenta de edição de textos, com a possibilidade de se trabalhar com a produção de arte e diagramação em múltiplas páginas. É possível criar um jornal ou uma revista inteira no Corel, sem usar outro software de finalização. Mas apesar dessa possibilidade, é bom esclarecer que esse tipo de uso não é adequado. O CorelDRAW não é um software de editoração.

Um das janelas mais interessantes, especialmente para os usuários principiantes, que é apresentada pelo Corel, é a de dicas. Nela é possível visualizar, em tempo real e de forma interativa com àquilo que o usuário seleciona, rápidos tutoriais ilustrados com dicas e informações sobre o uso das ferramentas do software. Tudo isso sem provocar nenhuma interferência no documento sendo editado.

As características do CorelDRAW favorece bastante o aprendizado. Qualquer usuário sem muita noção sobre desenhos vetoriais, mas que cuja curiosidade seja aguçada o bastante para explorar o programa, pode começar a fazer os primeiros traçados sem nenhuma dificuldade. As opções de impressão também tornam o software bastante interessante, principalmente no que se refere à separação de cores.

Adobe Illustrator CS6
A interface do Illustrator segue o padrão dos outros softwares da Adobe, exibindo uma área de trabalho com tonalidades de cinza escuro, detalhe que oferece um melhor contraste entre os ícones e caixas de controles e uma ênfase bastante interessante ao documento. A disposição dos botões e desenhos dos ícones também seguem um padrão dos produtos da Adobe, parecendo-se muito familiar ao Photoshop. Isso é um ponto positivo para o Illustrator, que a exemplo do Photoshop, também traz a possibilidade de edição de documentos em múltiplas janelas, reunidas em abas dentro da mesma interface do programa.

Inkscape 0.48


O Inkscape segue uma linha totalmente independente e bastante prática. Todos os seus recursos são separados por categorias, sendo possível encontrar sem nenhuma dificuldade aquilo que é procurado. É amigável o suficiente para ajudar o usuário menos experiente, sendo capaz de atender, ao mesmo tempo, um experiente profissional em suas necessidades de design gráfico. O Inkscape possui interface limpa e simplificada. Mesmo sendo um programa fácil de usar, isso não significa um problema muitas vezes persistente com projetos de código aberto - a banalização dos recursos.



Um detalhe negativo dessa simplicidade é que muitas funções poderosas do Inkscape ficam escondidas, o que num primeiro contato pode passar a falsa impressão de escassez de recursos.



Outro problema do Inkscape é que alguns de seus recursos, mais especificamente concentrados no menu "Extensões", são confusos. Há certos casos que, para conseguir usá-los, é necessário quebrar a cabeça para saber como funcionam e o que definitivamente fazem. A página oficial de ajuda do Inkscape não possui suporte em português e para quem não domina o inglês, o jeito é apelar para o tradutor do Google ou então tentar buscar ajuda em algum outro lugar da internet.



Mais um detalhe negativo é que a ferramenta "Caixa 3D" parece não possuir uma utilidade tão interessante que justifique sua existência. Sua única função é desenhar cubos, com efeitos de perspectiva e nada mais que isso. Sem que ofereça outros recursos adicionais não há muito o que fazer com ela. Esta ferramenta seria imensamente bem vinda ao Inkscape e extremamente útil se provesse meios de elaborar desenhos e escrever textos automaticamente alinhados em sua perspectiva 3D. Sem essa característica, se tornou praticamente um recurso sem maior expressividade na barra de ferramentas, em detrimento de outros recursos bem mais úteis que poderiam estar ali.



Gereciamento de cores





Define-se cor como sendo a sensação produzida quando a luz de diferentes comprimentos de onda atinge a retina do olho humano. Trata-se de um tipo de de radiação eletromagnética que o olho humano é sensível. Na física, cor refere-se as comprimentos de onda visíveis que se encontram aproximadamente entre os 380 e 750 nanômetros ou respectivas frequências. Os limites do espectro visível variam de pessoa para pessoa, mais ou menos, sendo assim, os olhos dos seres humanos tem uma faixa definida, se limitando entre 350nm a 700nm dos comprimentos de ondas para a luz visível. Embora a cor seja explicada cientificamente pela física, a cor não é um fenômeno físico. Um mesmo comprimento de onda pode ser percebido diferentemente por diferentes pessoas (ou outros seres vivos animais), ou seja, cor é um fenômeno fisiológico, de caráter subjetivo e individual, baseado na resposta do olho humano à percepção da luz. Isso significa que ninguém enxerga, necessariamente, o mesmo tipo ou tonalidades de cor.  Em casos de enfermidades visuais, como o clássico exemplo do daltonismo, existe uma dificuldade na distinção de todas ou algumas cores, mais comumente das cores primárias verde e vermelho, o que acaba repercutindo na percepção de cores secundárias.



O modelo de cor RGB é o modelo usado pelo olho humano, que baseia-se na leitura da luz. Na reprodução realística de cores, a quadricromia (o uso de quatro cores) é limitada pela amplitude do espectro cromático do sistema CMYK. Na prática isso quer dizer que determinadas cores visíveis pelo olho humano ou reproduzíveis em outros sistemas, como o RGB, por exemplo, não podem ser obtidas pelo processo de quatro cores.



Esse é o desafio dos designers que precisam trabalhar com RGB e produzir os resultados em CMYK. A relação entre esses dois sistemas pode ser bem conturbado. Para amenizar essa situação, os designers costumam calibrar seus monitores baseando-se num perfil ICC. Trata-se de um arquivo com informações de configuração sobre o espaço de cores a serem devidamente utilizados por monitores e impressoras.



Como este assunto é bastante extenso, ele será abordado futuramente num artigo específico dedicado ao gerenciamento de cores, especialmente no caso do Inkscape.



Vamos sair um pouco da parte técnica da coisa e vejamos como cada software gerencia suas cores, a começar pelo CorelDRAW.










Os recursos que o CorelDRAW oferece, aliado a uma interface simples, juntamente com uma generosa paleta de cores CMYK, em conjunto com uma ferramenta de impressão intuitiva, tem feito com que o Corel ocupe uma posição bastante confortável nos ambientes de produção de fotolitos gráficos e bureaus de impressão. A presença da paleta de cores Pantone também auxilia bastante na implementação de impressos com cores especiais pela indústria gráfica.



Um detalhe no Corel que precisa ser mencionado é que algumas artes que possuem efeitos de gradiente, na impressão costumam não corresponder muito bem ao que se vê no monitor e isso pode se transformar qualquer impresso em verdadeiras armadilhas, principalmente quando possuem texto sobreposto. Dependendo das tonalidades de cores usadas no gradiente, um texto sobreposto na cor preta pode ficar quase ilegível, ainda que no monitor o mesmo padrão de gradiente se mostre com tonalidades suaves. Esse é o desafio de trabalhar simulando as cores CMYK num ambiente que trabalha exclusivamente com RGB - como é o caso dos monitores de computadores.

Por conta disso é possível observar, por exemplo, que o CorelDRAW tem uma certa dificuldade em lidar com a cor azul existente em sua paleta de cores padrão CMYK, que tende a apresentar-se com uma tonalidade ligeiramente puxada para o roxo nas impressões. A configuração que o CorelDRAW exibe para a cor azul é: C = 100, M = 100, Y = 0 e  K = 0. No monitor fica bacana, pois a cor exibida é apenas uma simulação. O problema é na hora da impressão. A combinação das cores 100% ciano e 100% magenta produz como resultado um azul com tonalidade roxeada. Observe na imagem abaixo:



Para se reproduzir no papel a cor azul conforme é mostrada na paleta do CorelDRAW, a configuração correta seria: C = 100, M = 80, Y = 0, K = 10. Entretanto essa combinação quando é indicada no Corel, produz no monitor um azul mais claro do que seria o resultado real, impresso. Porém, esse resultado no papel corresponde à mesma cor indicada pela paleta do CorelDRAW. Talvez seja mais fácil compreender isso observando a ilustração abaixo:



Trabalhar com tonalidades de laranja e vermelho é outro problema. A configuração CMYK padrão que o CorelDRAW traz para a cor laranja é: C = 0, M = 60, Y =100, K = 0. Isso na impressão produz uma tonalidade de laranja que se assemelha à cor de barro. Para produzir a cor laranja com uma tonalidade mais "viva" a seguinte configuração é a mais adequada: C = 0, M = 50, Y = 100, K = 0. No caso do vermelho a aplicação de 100 % de amarelo e 100% de magenta pode produzir no papel um tom opaco e enganoso se comparado ao que é visualizado no monitor. No caso do vermelho os monitores levam uma enorme vantagem para produzirem essa cor, já que se trata de uma cor primária do padrão RGB e o resultado é de uma vivacidade incrível. Já no papel a situação é bem diferente. No sistema CMYK o vermelho é uma cor secundária, produzida pela sobreposição de 100% das tintas magenta e amarela. Mesmo assim o resultado tende a ser um vermelho um tanto opaco. Para produzir um vermelho mais vívido o ideal é adicionar 10 % de preto, ficando a seguinte configuração: C = 0, M = 100, Y = 100, K = 10.


O uso da cor preta merece um cuidado especial para que na impressão, o resultado não seja algo opaco. Para o uso em fundos impressos com preenchimentos totalmente preto e com uma boa aparência, o ideal é a seguinte configuração: C = 40, M = 0, Y = 0, K = 100. Entretanto, essa configuração não é adequada para textos com letras pequenas. Para textos, linhas finas e pequenos elementos, o preto deve ser sempre usado de forma pura, ou seja, preto (K) = 100 e só, sem nenhuma adição de outra cor.

Na imagem abaixo, o quadro à esquerda você só percebe que sua cor de preenchimento não é "tão preta" porque existe uma referência mais escura ao lado. A configuração da cor preta exibida no quadro à direita no meio gráfico é chamado de "preto chapado" ou "preto calçado".




O gerenciamento que o Illustrator faz das cores é mais eficaz que o CorelDRAW. A paleta de cores do Illustrator tende a exibir as cores no monitor de maneira mais fiel à impressão. Um recurso bastante interessante oferecido pelo Illustrator é o fluxo de trabalho CMYK seguro. Um fluxo de trabalho CMYK seguro garante que os números de cores CMYK sejam preservados até o dispositivo de saída final, em vez de serem convertidos pelo sistema de gerenciamento de cores. Esse fluxo de trabalho é muito útil caso o usuário queira adotar práticas progressivas de gerenciamento de cores.

Existem várias outras configurações e opções para o gerenciamento de cores oferecidas pelo Illustrator. Não irei mencioná-las, pois isso demandaria um extenso texto para explicá-los um a um. Todos esses recursos agregados ao Illustrator certamente fazem desse software uma grande opção na produção de artes gráficas.

No caso do Inkscape, a atual situação do software para usos em finalização gráfica é um pouco diferente e irei criar um artigo especial para tratar separadamente este assunto. Um detalhe que precisa ser mencionado aqui é em relação à paleta Pantone. A lista de números de cor e valores da Pantone pertencem à propriedade intelectual da Pantone e o uso gratuito da lista não é autorizado. É por este motivo que as cores Pantone não são suportadas por padrão em software livre como GIMP e Inkscape, e muitas vezes não estão presentes em soluções de outros software de baixo custo. Apesar desse detalhe, ao contrário do que muitos afirmam, é possível sim usar a paleta Pantone no Inkscape, embora o método seja "não oficial". Isso será abordado no outro artigo especial.




Ferramentas de edição de linhas e curvas de bézier



O conceito da curva de bézier foi originalmente desenvolvida em 1962 e seu nome é devido ao criador da curva, o francês Pierre Bézier, funcionário da Renault, que a usou para o design de automóveis. Foi desenvolvida como resultado do Algoritmo de De Casteljau em 1957 (P. De Casteljau, Citröen) e formalizada na década de 60. Tratava-se de uma nova ferramenta de desenho baseada em uma variedade muito versátil de curvas matemáticas, perfeitas para desenhar o contorno suave dos carros modernos. Tais construções matemáticas tinham como mérito o fato de proporcionarem uma definição fácil das curvas de maneira que os computadores pudessem entendê-las.



Posteriormente, seu conceito se tornou a base de todo o modelo gráfico do Adobe PostScript, sendo hoje largamente utilizado na maioria dos softwares de computação gráfica. Desta forma, tais curvas se tornaram familiares para qualquer usuário de programas de desenhos vetoriais.





A definição matemática de como é gerada confere à curva de Bézier uma grande versatilidade, permitindo que ela possa se comportar, num dado momento, de maneira suave, homogênea, mas também possa adquirir formas mais bruscas e até cúspides. Tanto ela  pode apresentar uma ou duas curvaturas, como pode até formar “loops”. Além disso, quando seus pontosa de controle iniciais coincidem com os pontos finais, ela passa a representar uma linha reta. A animação acima ilustra as inúmeras possibilidades oferecidas pela curva de Bezier 




Edição de linha no CorelDRAW

Edição de linha do Illustrator

Edição de linha no Inkscape

O Inkscape, Illustrator e CorelDRAW não possuem grandes diferenciações no trabalho com curvas e retas. O destaque aqui fica para o Inkscape, que oferece uma visualização diferenciada para os tipos de nós e completo conjunto de teclas de atalho para edição de nós via teclado.

Trabalhando com textos

O Inkscape, Illustrator e o CorelDRAW oferecem recursos bastante similares para o trabalho com textos, principalmente na parte artística. Os três softwares oferecem ferramentas bastante avançadas. Já para a edição de textos de parágrafos a história é outra. Embora não haja problemas em se trabalhar com este formato no Inkscape, ainda não foi implementada no programa uma variedade de opções para trabalhos com textos de parágrafos tão abrangentes como seus concorrentes CorelDRAW e Illustrator. O Inkscape ainda tem poucos recursos para edição avançada neste formato, como hifenização em português, controle total de espaçamentos e formatações especiais como sobrescrito e subscrito.






Uma característica boa do Inkscape é que ele traz incorporado a capacidade para criação de suas próprias fontes (modelos de letras), trazendo uma poderosa ferramenta de conversão, de modo que é possível criar suas próprias fontes TrueType pessoais. O Illustrator e o Corel também trazem essa possibilidade, mas o recurso oferecido pelo Inkscape é bastante superior nesse quesito.

Ferramentas de geração de polígonos






As ferramentas oferecidas pelos três softwares para geração de polígonos cumprem com primazia essa tarefa sem maiores diferenciações entre um software e outro. Não há comentários a fazer nesse sentido, já que não existem falhas ou imperfeições; e nem há entre os três softwares alguma característica que mereça destaque no uso desses recursos.

Tabela de equivalências



Na tabela abaixo é possível você fazer um comparativo rápido entre algumas das principais funções equivalentes entre o CorelDRAW X6, Adobe Illustrator CS6 e o Inkscape 0.48. Busquei apenas os recursos concentrados, predominantemente, nas barras de ferramentas principais dos três softwares. Me limitei a citar recursos existentes nos menus, apenas quando a função correspondente se encontrava ali.



A tabela não tem a intenção de apontar quais ferramentas do software A, B ou C funcionam melhor ou possuem maior praticidade. O objetivo é listar algumas das principais funções desses três softwares de criação de desenhos vetoriais e onde cada uma dessas funções podem ser encontradas tanto no Corel, quanto no Illustrator ou no Inkscape. Dessa forma, é possível visualizar um perfil da funcionalidade de cada programa de maneira conjunta.



 
AÇÃO
 
Seleciona objetos
Edita curvas
No CorelDRAW a
alternância de zoom

se dá com a tecla

"shift" do teclado
No Illustrator a
alternância de zoom
se dá com a tecla
"alt" do teclado
No Inkscape a
alternância de zoom

se dá com a tecla

"shift" do teclado
Aplica zoom

no documento

 
Desenha

quadrados e

retângulos
Desenha

círculos e elípses 
Desenha

polígonos e

estrelas
 
Desenha espirais
 
 
Desenha linhas

à mão livre
 
Desenha

segmentos de

linhas e curvas
 
Adiciona e edita

textos
 
 
Apaga áreas de

desenhos
 
 
Adiciona e edita

preenchimentos

em degradê
 
Copia atributos

de preenchimento
 
Disponível a partir do

menu: Extensões,
Gerar do caminho,
Interpolar...
Cria uma

progressão

intermediária com

a mistura entre

dois objetos
 
Não possui

equivalente
Aplica

preenchimento de

malha 
Disponível a partir do

menu: Efeito,
Estilizar,


Sombra... 
Não possui

equivalente 
Aplica sombra

projetada
No CorelDRAW é

chamado de nó

(simétrico)
 No Illustrator é

chamado de âncora

(ponto suave)
No Inkscape é

chamado de nó

(simétrico)
Move alças

de edição

de curvas de

Bézier
No CorelDRAW é

chamado de nó

(cúspide)
No Illustrator é

chamado de âncora

(ponto de vértice).

É obtido

movendo-se o ponto

de direção com

a tecla "alt" do

teclado pressionada
No Inkscape é

chamado de nó

(cúspide). Esse tipo

de segmento pode

ser facilmente

identificado

pela mudança da

forma do demarcador
Move alças

de edição

de curvas de

Bézier
Não possui

equivalente
"Pulveriza"

objetos
Não possui

equivalente
Disponível a partir do

menu: Extensões,
Renderizar,
Polar Grid...
Desenha uma

grade circular
Não possui

equivalente
Não possui

equivalente
Cria desenhos

de gráficos
Não possui

equivalente
Não possui

equivalente
Cria uma grade

para desenhar

em perspectiva
Disponível a partir do

menu: Extensões,
Renderizar,
Cartesian Grid...
Desenha tabelas
Disponível a partir

do segundo clique

do mouse com

a ferramenta "seleção"
Disponível a partir

do segundo clique

do mouse com

a ferramenta "seleção"
Inclina objetos
Não possui

equivalente
Deforma objetos


Nas linhas onde, numa determinada função, aparece a frase informando que o software não possui recurso equivalente não significa necessariamente que o software não seja capaz de realizar aquela tarefa. Pelo menos não em todos os casos. A frase serve apenas para indicar que, para determinados recursos, não existe um ferramenta específica para a realização aquela tarefa e que o resultado para aquele tipo de ação deverá ser atingido por métodos manuais.



Vetorizando a Monalisa



O processo de vetorização automática é um recurso bastante interessante e presente nos três softwares testados, capaz de economizar horas de uma etapa de criação. Mas não pense que exista soluções milagrosas. Veja porquê.



Parte da bandeira do Brasil, em bitmap - ou seja, formada por pixels. Esta forma de representação é indicada para reprodução de imagens com alto nível de detalhes, como a fotografia de uma pessoa ou paisagem, por exemplo.
Uma imagem em bitmap é produzida por milhares ou até milhões de minúsculos pontos multicoloridos, igual a um bordado, formando um gigantesco ladrilho. Essas imagens se tiverem seu tamanho aumentado sofrem distorções consideráveis, como pode ser observado na foto acima. Isso ocorre porque cada ponto precisa ser transformado num conjunto de blocos maiores para poderem recompor a imagem ampliada. O resultado é a degradação da imagem original e uma acentuada perda de nitidez, situação que não ocorreria com uma imagem em vetor.


Vetorização automática usando o CorelDRAW X6. O Corel acertou na construção das retas e curvas com uma precisão muito boa. Porém, ser perdeu com algumas estrelas da bandeira que ficaram com um formato indefinido. O texto "Ordem e Progresso" também apresentou pequenas distorções. No conjunto o resultado é razoável.
Vetorização automática usando o Adobe Illustrator CS6. As cores ficaram bem preservadas e  as linhas retas foram reproduzidas com bastante precisão. Houve pequenas ondulações nas áreas curvas, mas nada que tire os méritos do Illustrator. As estrelas ficaram bem definidas, com poucas distorções. No geral o resultado é excelente.
Vetorização automática usando o Inkscape. O software apresentou um resultado cuja qualidade impressiona. Todas as características e traçados da bandeira ficaram preservados com uma precisão de cair o queixo. A fidelidade ao traçado de cada letra do texto "Ordem e Progresso", o nível de nitidez das estrelas e as características visuais do arquivo vetorizado, no geral, é indescritivelmente fabuloso.

Num mundo perfeito todas as empresas e organizações mantém em arquivos as suas logos vetorizadas em mais de um formato. Mas infelizmente esse mundo perfeito não existe e a realidade é bem diferente e desafiadora para a maioria dos designers.



Imagine a seguinte situação: você recebe por e-mail a logo de uma empresa que deverá ser aplicada na arte de um banner medindo 7 metros de altura por 4 metros de largura. O serviço é urgente e o bureau que realizará a impressão aguarda o envio da arte o mais rápido possível. A logo que lhe fora enviada até que possui uma boa qualidade. Porém ela apresenta uma séria limitação: a imagem está em bitmap e é pequena, tendo apenas alguns centímetros de altura e largura. Da maneira como está a logo deveria ser usada em seu tamanho natural. Ampliá-la na marra seria um desastre, pois quanto mais fosse ampliada mais pixelizada ela ficaria. Uma saída seria redesenhar a logo, mas não há mais tempo. A arte precisa ser enviada imediatamente para impressão, para que possa ser entregue dentro do prazo estipulado. E agora? Como resolver essa encrenca?



Felizmente o Inkscape, o CorelDRAW e o Illustrator dispõem de recursos que são capazes de resolver esse tipo de situação. Trata-se de uma ferramenta capaz de transformar automaticamente uma imagem de bitmap em desenho vetorial, de maneira bastante simples e rápida. Assim, a nova estrutura vetorizada permite que você redimensione a figura o tanto que for necessário, sem perda da qualidade. A desvantagem é que este recurso não é capaz de reproduzir uma cópia milimetricamente exata e perfeita da imagem original. Por isso deve-se entender que o principal propósito de vetorizar automaticamente um bitmap é fornecer um conjunto de curvas que possa ser usado como um recurso complementar para a elaboração do desenho, mas seu uso jamais deve ser visto com a intenção de atingir um resultado final. A ferramenta é capaz de produzir resultados satisfatórios e convincentes em imagens relativamente simples, o que não inclui fotografias e ilustrações com gradientes e efeitos de iluminação e sombreados. Portanto, não se deve esperar um milagre ao usar este recurso.



Para testar a eficiência dessa ferramenta no Corel, no Inkscape e no Illustrator, os três softwares foram colocados para trabalhar na situação mais insana que se possa imaginar: vetorizar automaticamente, com o máximo de realismo e qualidade possível uma imagem bitmap do famoso quadro "A Monalisa" - de Leonardo da Vinci - o renascentista italiano de múltiplos talentos, considerado por muitos como um dos maiores gênios da história.



Veja abaixo o que aconteceu. Mais uma vez repito que o propósito dessa ferramenta não é produzir uma cópia exata da imagem original e muito menos sua função seria a de vetorizar fotografias. O teste abaixo é apenas com o intuito de oferecer uma comparação de até onde vai o poder do motor de vetorização automática de cada software.





Na imagem vetorizada automaticamente pelo Corel, o quadro da Monalisa ficou com um resultado que lembra um vitral. É possível identificar os elementos da imagem sem dificuldade, mas o nível de detalhamento ficou bastante prejudicado. 




O Illustrator mostrou porque é o software escolhido por tantos designers, produzindo uma imagem vetorizada da Monalisa cujas características aproximam-se muito da original. As diferenças só são perceptíveis quando a imagem é ampliada. Esse tipo de resultado não pode ser considerado um defeito, pois o propósito da vetorização não é o de transformar fotografias, cujas características é mais apropriado para o modo de construção por bitmap do que por vetor. 








O Inkscape produziu um resultado que simplesmente dispensa maiores comentários. Sem a ampliação exibindo o detalhamento do rosto da Monalisa, não daria para distinguir o que é vetor e o que é bitmap. Sensacional!


É inegável que o Inkscape traz uma ferramenta de vetorização automática de bitmaps extremamente poderosa. O recurso chama a atenção pela sua eficiência, cujo resultado impressiona até mesmo quando o que se quer vetorizar é uma fotografia. Mas não se pode negar também que o recurso oferecido pelo Illustrator possui um alto nível de eficiência, superando em muito à ferramenta equivalente oferecida pelo CorelDRAW.


Finalização de arquivos para gráfica






Finalmente chagamos a um ponto crucial e que interessa muita gente.



Um argumento muito comum contra o uso do Inkscape é que esse software seria para usuários principiantes e domésticos, sendo o Adobe Illustrator o software aclamado no quesito profissionalismo, seguido pelo CorelDRAW.



É verdade que o Illustrator é um software incrível e disso não tenho a menor dúvida. Porém, parte do argumento do Illustrator ou mesmo o CorelDRAW ser mais "profissional" surge da premissa de ambos os softwares possuírem recursos que estão ausentes no Inkscape. Na realidade esse raciocínio é falso. Apesar disso, existem pontos importantes a serem considerados.





A superioridade do CorelDRAW e do Illustrator para a produção gráfica é evidente, o que torna impossível fazer uma comparação válida com o Inkscape no quesito de finalização de arquivos para a produção gráfica. Tem explicação. O Inkscape não é um software para a produção impressa e sim de artes direcionadas para a Internet. O que não serve para a internet o Inkscape simplesmente ignora. Isso explica, por exemplo, a falta de ferramentas mais avançadas para edição de textos de parágrafos e a exportação de artes unicamente em formato de cor RGB - exatamente como deve ser as produções para a internet. Por exportar somente em RGB, a ausência mais problemática é a falta de um mecanismo eficiente de separação de cores, o que torna o Inkscape inviável para matrizes em offset e para telas de serigrafia.



Diante do exposto, a realidade é que até a atual versão é impossível usar o Inkscape para a produção direta de peças impressas, como uma solução isolada ou completamente “independente”. Dessa forma, para a finalização gráfica, cabe ao Inkscape a tarefa de ser um software coadjuvante do Scribus, gerando ilustrações vetoriais para serem importadas e novamente editadas no Scribus.



Este modelo de fluxo de trabalho não é nenhum pouco interessante. Exige do usuário a experiência em dois softwares para finalização de algo simples, como uma estampa de camisa. Isso coloca o Inkscape numa séria posição de desvantagem perante o CorelDRAW e Illustrator.



Então não existe solução para produzir impressos com o Inkscape? Sim, caro que há. Mas como disse, ele é um coadjuvante do Scribus. Agora vou dar uma pausa no Inkscape e retorno com ele mais adiante.





Nos Estados Unidos e Europa, muitas gráficas trabalham com o Illustrator. No Brasil, existem muitas gráficas que só aceitam arquivos em formato CDR (CorelDRAW), mais por falta de conhecimentos técnicos do que por profissionalismo. Não são poucas as gráficas que se encaminhar um cartaz para ser impresso em formato AI (formato do Illustrator), eles informam que não abrem o arquivo. Enviar em SVG então, nem sonhando!



No entanto, o consenso comum é que todas as gráfica aceitam PDF para impressão: formato que o CorelDRAW e Illustrator exporta nativamente. A vantagem do PDF é que abre em qualquer computador e em qualquer plataforma, podendo o arquivo ser visualizado com total fidelidade ao original, sem correr riscos de eventuais problemas com fontes ou perda de formatações ocasionadas por versões diferentes de softwares.



Retorno

Mas e quanto ao Inkscape? Bom, quanto ao Inkscape pelo menos até a versão usada neste artigo, o esquema precisa ser um pouco diferente, mas o objetivo será o mesmo, gerar um arquivo em PDF.



Então concluímos que o formato mais adequado para o uso gráfico é o PDF. Mas e se a gráfica disser que não aceita o arquivo em PDF? Se um dia você for numa gráfica e ela disser isso, é um bom indício para você começar a duvidar seriamente da capacidade técnica e profissional dessa gráfica.



Para enviar arquivos criados no Inkscape para a gráfica, com a conversão de cores para CMYK, a melhor alternativa que há é importar o SVG para o software Scribus. Nele, ir na aba "cores" e clicar em "remover não utilizadas". Depois basta ir editando as cores que sobraram com seus respectivos valores CMYK. Após isso o usuário deve escolher a opção "exportar em PDF". Na aba que abrir, em "geral", indica-se o formado do PDF (por exemplo, 1.4). Por fim, na aba "cores", basta escolher "impressora".



Há de se convir que este método não é o ideal, mas é o que dá para ser feito no Inkscape.



Outras alternativas

Normalmente as gráficas brasileiras utilizam o CorelDRAW - que é péssimo para edição em SVG, mas bom para saída em CMYK - como software para edição de gráficos vetoriais na sua linha de produção. Uma possibilidade para gerar impressos de artes vindas do Inkscape seria a exportação do arquivo SVG para o formato PNG, no próprio Inkscape, formato que o CorelDRAW entende bem. Entretanto, se for preciso fazer alguma alteração rápida, de emergência, a coisa fica mais complicada. Uma saída para isso seria salvar a arte no formato EPS para que possa fazer a importação em outro software. Trata-se apenas de uma "gambiarra" e está longe de se o método adequado, já que esse procedimento não resolve o problema com a saída em CMYK do Inkscape, ficando a cargo de outro software gerar a finalização. Por ironia, isso implica em ter que usar até mesmo o CorelDRAW para poder gerar o PDF com a devida separação de cores, de uma arte que foi feita no Inkscape.



Concluindo






Todas as gráficas profissionais exige-se que as artes coloridas estejam com o padrão de cores CMYK e nunca em RGB. Quando se trata de artes em preto e branco, elas devem ser enviadas em Tons de Cinza. O Illustrator e o CorelDRAW tiram isso de letra. Porém, o Inkscape infelizmente não faz isso. Ele não trabalha com outros espaços de cor além do RGB e nem com perfis de cores. Ele até os incorpora, porém, não usa. Trata-se de recurso que está planejado para ser implementado nas próximas versões e só não foi implementado ainda por causa do objetivo inicial do software, que era ser um editor gráfico para a Web.



Por conta disso, para a finalização gráfica o Inkscape é totalmente dependente do Scribus ou de outro software capaz de gerar a devida separação de cores em CMYK.



É fato que a exibição de cores em CMYK no monitor do computador é ilusório, pois nunca poderá ser obtido com exatidão a emissão subtrativa através de uma síntese aditiva de cores. O modo de cor CMYK é importante somente na hora de gerar os arquivos em chapas diferentes. Todo o resto não passa de simulação. Por conta disso a equipe de desenvolvimento do Inkscape sempre defendeu a ideia de que a conversão para CMYK deveria ser um procedimento a ser feito somente na hora da impressão. De fato isso é verdade. Não vou entrar nas minudências de por que as coisas são assim no Inkscape (não neste texto). Mas convenhamos, uma ajudinha não faria mal a ninguém!



A ausência em prover saída em CMYK, mesmo na hora de finalizar o arquivo, coloca o Inkscape numa posição não muito favorável. Mas como eu disse logo no início deste artigo, analisando o que o Inkscape já é hoje, com certeza o futuro deste software promete grandes avanços. Espero que sim. Pelo menos existem grandes promessas para as próximas versões. O que todos esperam é que o Inkscape comece a se desligar um pouco do seu passado, de software para artes da web; e venha a olhar para o futuro, como um gigante do mundo open source para a indústria gráfica.
Fonte e Créditos: aqui

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