Saltos altos na história da computação


Os primeiros computadores correspondem ao somatório de nomes de mulheres que programaram, calcularam, corrigiram erros, criaram linguagens e desempenharam um papel significante na computação. Conheça a presença feminina que talvez não tenha o destaque merecido. O universo feminino sempre fez presença marcante deste o início da computacional, desde analistas de sistemas, programadoras e matemáticas.

IBM 403 Accounting Machine (© Wikicommons)

“É como planear o jantar. Têm que planear com antecedência, agendar e lidar com detalhes. As mulheres são naturais na programação de computadores”, afirmou a Dra. Grace Hopper, analista de sistemas da Marinha dos Estados Unidos, em entrevista à revista Cosmopolitan, ed. 1967. Nesse tempo, as mulheres eram detentoras da receita de criar a interface entre as máquinas e os usuários.

Melba Roy: líder do grupo de matemáticos da NASA,
conhecido como "computadores", que descobriram os satélites Echo em 1960.
(Wikicommons:Nasa)

A instrução Ada.Text_IO.PutLine() pode não ser familiar, porém, faz parte de uma linguagem de programação que homenageia o nome de uma mulher com história na área da computação. Considerada a princesa dos paralelogramos, Ada Lovelace escreveu o algoritmo da sequência de Bernoulli, utilizando a máquina analítica de Babbage. Sob a assinatura A.A.L, Ada troca correspondência com o cientista e inventor Charles Babbage. As notas de Ada descrevem o potencial da sua máquina para solucionar equações, integração de zero ou infinito e números positivos e negativos.

Ada Lovelace (© Wikicommons)

Em 1941, um grupo de jovens matemáticas da Universidade da Pensilvânia é convocado para integrar um programa militar secreto no esforço da Segunda Guerra Mundial, pouco tempo depois do ataque japonês em Pearl Harbor. Os cem bilhões de neurónios destas jovens processam cálculos de trajetórias, velocidades, posições das balas e bombas dos soldados que operam em combate. Os valores de equações diferenciais são inscritos em tabelas compiladas em manuais e estas são fornecidas aos soldados. Nomes como Shirley Blumberg Melvin, Marlyn Wescoff Meltzer, Doris Blumberg Polsky, Betty Jean Jennings, Marlyn Wecoff, Kay McNulty, Betty Synder, Ruther Lichterman e Fran Bilas correspondem a estudantes do código da precisão, vital em artilharia e ambientes de guerra.

Da esquerda para a direita - Patsy Simmers segurando a board ENIAC,
Mrs. Gail Taylor com a board EDVAC, Mrs. Milly Beck com a board ORDVAC
e Mrs. Norma Stec, segurando a board BRLESC-I (Wikicommons:U.S.federal government)

Todos estes cálculos são automatizados com a introdução do primeiro computador eletrônico ENIAC e as mulheres tornam-se nas primeiras programadoras, no controlo de interruptores, efetuando todo o processo de debugging (correção dos erros) no cálculo das trajetórias das balas/bombas.

Da esquerda para a direita - Betty Jennings (Mrs. Bartik) e Frances Bilas (Mrs. Spence)
que operam o painel de controle principal ENIAC (Wikicommons:U.S.federal government)

E desengane-se quem pense que a presença feminina termina por aqui. Grace Hooper foi uma analista de sistemas da Marinha dos Estados Unidos, criadora da linguagem de programação Flow Matic que serviu como base para a criação da linguagem COBOL. Jean Sammet, cientista de computação americana, desenvolveu a linguagem FORMAC (Formula Manipulation Compiler) e Barbara Liskov foi a primeira mulher a obter o grau de doutoramento em computação, em 1668, tendo como tese o desenvolvimento de um programa de computador para jogar finais de jogos de xadrez.

Grace Hooper com outros programadores(Lexikon's History of
Computing Encyclopedia on CD ROM) (© Wikicommons)

Uma descida vertiginosa tem assombrado a presença feminina nos cursos superiores de computação. Segundo o inquérito Taulbee da Associação de Investigação de Computação (Computing Research Association Taulbee Survey), a percentagem muito próxima dos 40% de mulheres de computação em meados dos anos 80 veio para valores abaixo dos 12%. Contudo, as estatísticas têm sido iluminadas nos últimos anos por um ligeiro incremento ao nível da empregabilidade, docência e número de doutoramentos (Ph.D.s).

Google the Future, Marissa Mayer - vice-presidente de serviços geográficos e locais da Google
- discurso em Taiwan. (© Wikicommons, Chen Hao Hsuan)

A apresentação de Hanna Wallach, professora no Departamento de Ciência de Computação (disponível neste link) é um convite à reflexão sobre questões como a exclusão inconsciente no que concerne o desenvolvimento de software livre (open-source) por parte do gênero feminino e a divinização da capacidade de produzir código. O estudo revela ainda atividades típicas na computação em cada gênero: enquanto os homens escrevem código, testam, efetuam o report de bugs e desempenham tarefas de natureza técnica, as mulheres parecem concentrar-se na documentação, organização de eventos, tradução e tarefas de natureza social.

Vale lembrar que há grupos e projetos como The Alice Project, associações como Grace Hooper celebration of Women Conference Series, Women in Computing, BSCWomen, Gr8 Girls e alguns fóruns e websites como PhpWomen, Linuxchix e Girldevelopit que tentam fazer com que a figura feminina esteja presente na história da computação.

Fonte e Créditos: aqui

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